O COVID-19 e a indústria de eventos

Não é novidade pra ninguém que a categoria dos eventos será a última a voltar da quarentena. Em resumo: evento é aglomeração de pessoas. Motivados por isso e pela relação forte que o brasileiro tem com o evento, os produtores e empresários do ramo estão trabalhando em saídas/alternativas para não somente levar entretenimento para a população, mas também reforçar sua marca, estar à frente de propostas diferentes e dar certa continuidade pro próprio mercado. Ainda não vimos exemplos de eventos musicais pagos, mas esse será provavelmente o próximo passo dessa indústria. Eu venho batendo numa tecla desde o início do isolamento que é VR (Realidade Virtual) e gamificação. O foco desse texto é exatamente fazer um paralelo entre esses dois pontos e as estratégias tomadas até o momento.


Vou começar ressaltando que o meu ponto de vista não descarta o que está sendo feito, inclusive pelo excelente trabalho de arrecadações que é importantíssimo, mas propõe uma outra perspectiva.


Bom, a gente começa a entender o cenário a partir das primeiras lives até os esboços de eventos como o Festival Villa Mix que até o momento funciona como um conjunto de lives, porém num segmento organizado pela mesma label. Ainda não vimos aquele formato evento/ingresso que estamos familiarizados e pode ser que não o veremos mesmo. Dito isso, a minha experiência com essas lives não é a melhor, não me sinto entregue naquele momento e tampouco consigo identificar um pouco da experiência de um evento, então não é algo que me segura ali. Percebendo que era um sentimento compartilhado entre amigos meus, fiz uma pesquisa no Instagram pra saber o que as pessoas achavam sobre as lives e, das pessoas que votaram, 81% foi na opção "dá uma preguicinha". Isso pra gente que trabalha nessa área é muito sintomático e a interpretação é que realmente não engaja o suficiente ou o que poderia. Vimos outras propostas de live com muita estrutura de som, luz e fogos, que nos daria esse contexto mais próximo de evento, porém continuou como uma experiência rasa e ainda me vêm a mente inúmeras críticas do que isso significa pra pandemia que estamos vivendo, mas essas ficarão para um próximo texto.


A pergunta, então, seria: como aprofundar a experiência do cliente num momento como esse?


Aqui começo afirmando que se eu tivesse numa posição de investimento, nesse momento investiria totalmente nos dois pontos que citei no início do texto.


Gamificação aos olhos do blog Engage é: [...]"arte de aplicar elementos de games em um contexto que não é um jogo. Em uma definição mais formal, gamification é “o uso do design e da mecânica de jogos para enriquecer contextos diversos normalmente não relacionados a jogos, com o objetivo de instruir, influenciar no comportamento e incentivar resultados práticos”"[...]. É uma prática que funciona a partir de princípios básicos como competição, recompensa e diversão, o que faz com que o seu cliente ou colaborador engaje na sua proposição. Várias empresas já possuem sistemas que são inspirados ou iguais ao gamification e o resultado é sempre expressivo.


Realidade Virtual nada mais é do que uma tecnologia de interface onde o usuário experimenta visualmente (e até alguns casos mais específicos utiliza outros sentidos), através de recursos gráficos 3D e imagens 360º, uma imersão a um ambiente virtual que pode ser literalmente qualquer coisa. A ideia é sempre criar a sensação de presença, o que enriquece muito mais a experiência da pessoa. Acredito que o método de inserção mais conhecido até o momento são o óculos.


Agora que você está familiarizado com os dois termos pergunte-se: e se usássemos esses dois elementos para criar uma plataforma online de eventos que entrega shows e festivais com uma experiência muito mais rica que lives e mais próxima a realidade física?! Um sistema funcional tipo uma rede social que agrega recompensas por eventos comparecidos, por passar a conta de nível, por honrar colegas e por bom comportamento dentro da plataforma. Os usuários ganhariam rewards como customizar o avatar, personalizar o layout, ganhar outros eventos, ganhar brindes em casa, conquistar maestrias, entre inúmeras outras opções. Um local onde seja totalmente aplicável o universo dos eventos não somente com apresentações, mas também com marketing sensorial e experimental.Você utilizaria? Eu definitivamente sim! Sei que quando vi a entrega do Fortnite junto ao Travis Scott tudo aquilo que eu pensava começou a fazer muito mais sentido. Talvez esse seja o primeiro passo para que possamos criar algo do tipo e mesmo que ainda sem o VR integrado a esse evento específico, a experiência para quem viveu dentro do jogo foi absurda.


Vou deixar aqui dois links caso você não tenha visto o que aconteceu. Vale muito a pena, sério! O primeiro é o vídeo oficial pela conta do artista e o segundo é um usuário do jogo experienciando o evento.


Talvez não dê tempo de alguma versão beta sair para essa pandemia, mas já temos mais algumas anunciadas para os próximos anos e a lógica é o mundo começar a se preparar mais para contextos similares a esse isolamentos que vivemos hoje. E aí, quem será o pioneiro nisso?

Artigo de opinião feito pelo nosso colaborador, clique aqui pra acessar o original.

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Tulio Carregal